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Qual é a real taxa de desemprego no Brasil?


Quando o IBGE divulga seus indicadores de emprego e desemprego, surgem questionamentos sobre a realidade dos números apresentados. Alguns economistas criticam a metodologia oficial, alegando que ela não contempla a verdadeira dimensão do desemprego no país. No entanto, essa metodologia é adotada internacionalmente e segue as recomendações da Organização Internacional do Trabalho (OIT).


O IBGE considera como desempregada apenas a pessoa que não tem trabalho e procurou emprego nos últimos 30 dias. Por isso, muitos brasileiros ficam fora dessa definição: pessoas que não buscaram vaga recentemente, que estão desestimuladas ou que recebem benefícios sociais, como seguro-desemprego, Bolsa Família ou Benefício de Prestação Continuada (BPC).


É importante ressaltar que, quando um beneficiário passa a trabalhar com carteira assinada ou como MEI (Microempreendedor Individual), sua renda familiar pode ultrapassar os limites exigidos, levando à perda do benefício — não por regra automática, mas por desenquadramento dos critérios.


Segundo a PNAD Contínua, o IBGE registrou aproximadamente 102,5 milhões de pessoas ocupadas no trimestre até outubro de 2025 e 5,9 milhões de desocupadas, o que resultou em uma taxa oficial de desemprego de cerca de 5,4%, a menor da série histórica. Esses números somam pouco mais de 108 milhões de pessoas.


Entretanto, a população em idade economicamente ativa, entre 15 e 64 anos, é próxima de 140 milhões. Isso revela uma diferença de cerca de 32 milhões de brasileiros que não aparecem como ocupados nem como desempregados oficiais — muitos deles podem estar aposentados, desestimulados ou fora do mercado por outros motivos. Parte desse grupo é formada pelos chamados desalentados, que desistiram de procurar emprego, e por pessoas que gostariam de trabalhar, mas não se enquadram na definição técnica do IBGE.


O índice de subutilização da mão de obra, que inclui desempregados, subocupados e pessoas fora da força de trabalho potencial, é bem superior à taxa oficial, evidenciando que o conceito tradicional de desemprego não capta toda a complexidade do mercado de trabalho.


Outro fator relevante é a informalidade: cerca de 37,8% dos ocupados, aproximadamente 38,7 milhões de pessoas, trabalham sem carteira assinada. Embora apareçam como ocupados nas estatísticas, muitos vivem em situação de instabilidade e baixa proteção social.


Somam-se a isso os programas de transferência de renda. Em dezembro de 2025, aproximadamente 18,7 milhões de brasileiros recebiam Bolsa Família, além dos beneficiários do BPC e do seguro-desemprego, que também impactam a dinâmica do mercado.


Dados recentes indicam que cerca de 94 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos constam do Cadastro Único, que faz o monitoramento dos benefícios sociais, ou seja, cerca de 44% de toda a população brasileira. Desses cadastrados, aproximadamente 57% utilizam o Bolsa Família como fonte essencial de renda.


Diante desse cenário, existem dois indicadores: o oficial, calculado pelo IBGE segundo padrões internacionais, e a chamada taxa real, que incluiria desalentados, subocupados e informais. Se todos fossem considerados, o desemprego poderia facilmente dobrar ou triplicar, mostrando que os números oficiais, embora corretos tecnicamente, não traduzem plenamente a realidade da economia brasileira.

 
 
 

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