O perigo da frase “sempre foi assim”
- Lucas Izoton

- há 27 minutos
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“Sempre foi assim”
Poucas frases são tão perigosas — e tão confortáveis — dentro das empresas. Ela costuma aparecer quando alguém não quer pensar, não quer mudar ou, no fundo, tem medo de inovar. É a frase preferida de quem confunde rotina com estratégia e passado com segurança.
O problema é simples: o mundo mudou. A tecnologia mudou. O mercado mudou. O consumidor mudou. Só algumas empresas insistem em agir como se nada disso tivesse acontecido. E pagam caro por isso.
No setor de moda, quantas marcas perderam relevância por insistirem no mesmo mix de produtos, nas mesmas cores, nos mesmos canais de venda? Enquanto isso, concorrentes passaram a usar dados, redes sociais, marketplaces, multicanais, collabs, coleções cápsula e leitura de tendências em tempo real. Quem ficou no “sempre foi assim” ficou para trás — ou está lutando para sobreviver.
Na indústria, a frase é igualmente perigosa. Processos ineficientes, desperdícios ocultos, máquinas antigas e decisões baseadas apenas na experiência — e não em dados — são frequentemente defendidos com esse argumento. A filosofia japonesa do Kaizen ensina o oposto: melhoria contínua, todos os dias. Hoje melhor do que ontem. Amanhã melhor do que hoje. O “sempre foi assim” mata o Kaizen antes mesmo do primeiro passo.
No varejo, então, o risco é ainda maior. Consumidores mudaram hábitos, formas de pagamento, expectativas de experiência e relacionamento. Quem acreditou que “loja física sempre foi assim” ignorou loja digital, omnichannel, CRM, WhatsApp, provador digital, fidelização. O resultado? Queda de fluxo, dificuldades nas vendas, margens comprimidas e altos estoques.
Henry Ford dizia que, se perguntasse aos clientes o que eles queriam, pediriam “carruagens com mais cavalos”. Ele não inventou o carro ouvindo o óbvio, mas questionando o modelo existente. Steve Jobs foi ainda mais direto: “Inovação é o que distingue um líder de um seguidor.” O seguidor repete. O líder questiona.
Hoje, no mundo empresarial, há um conceito cada vez mais aceito: se você faz algo da mesma forma há mais de dois anos, mesmo que esteja dando certo, reavalie. Não para destruir o que funciona, mas para melhorar. Ajustar. Evoluir. Antecipar.
Basta olhar para a história das comunicações. Se aceitássemos o “sempre foi assim”, teríamos parado no telégrafo. Depois no telegrama. Não chegaríamos ao celular, ao WhatsApp, às redes sociais. O mesmo vale para modelos de negócio: não existiriam Uber, Airbnb, streaming ou e-commerce.
Charles Darwin já alertava: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.” Empresas que repetem “sempre foi assim” geralmente não estão estáveis — estão atrasadas, apenas ainda não perceberam.
Portanto, quando alguém disser “sempre foi assim”, talvez essa seja a hora exata de parar e perguntar: e se não puder mais continuar sendo?








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