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Qual é a origem do povo capixaba?


O termo capixaba designa os moradores do Estado do Espírito Santo e carrega uma origem indígena. A palavra vem do tupi kapixaba, que significa roça, roçado ou terra limpa para plantação. Inicialmente, era usada para se referir às pequenas áreas cultivadas próximas às aldeias indígenas e, posteriormente, passou a identificar os habitantes da região. Com o tempo, “capixaba” tornou-se mais forte do que o gentílico oficial “espírito-santense”, consolidando-se como símbolo da identidade cultural dos cerca de 4,1 milhões de habitantes do estado.


O nome Espírito Santo remonta à chegada do fidalgo português Vasco Fernandes Coutinho, que aportou na região em 23 de maio de 1535, um domingo de Pentecostes. Ele foi o primeiro capitão donatário da Capitania do Espírito Santo, marco inicial da colonização portuguesa na região.


Sempre tive curiosidade em compreender melhor a origem do povo capixaba, claramente formado por um rico mosaico de etnias. No meu caso pessoal, essa mistura é evidente: por parte de mãe, sou 100% italiano; por parte de pai, tenho ascendência portuguesa, africana e holandesa. Possuo cidadania italiana e, segundo meu teste de DNA de ancestralidade, sou 80% europeu, 11% africano e 9% de outras origens, um retrato bastante fiel da diversidade capixaba.


Antes da chegada dos europeus, o território era habitado por diversas tribos indígenas do tronco tupi, como tupiniquins, temiminós, guaranis, pataxós e botocudos, cada uma com realidades culturais e históricas próprias. Os portugueses foram os primeiros europeus a se estabelecer, mas já há registros da presença de africanos no Espírito Santo desde 1540. A partir de 1621, intensificou-se a compra de africanos escravizados, principalmente das etnias banto (Angola e Moçambique) e sudanesas (região da atual Nigéria).


No século XVII, a capitania também enfrentou tentativas de invasão por franceses, ingleses e holandeses, todas rechaçadas pelos portugueses com o apoio decisivo dos povos indígenas aliados.


No século XIX, o Espírito Santo passou por uma transformação profunda. Em 1872, a população era de apenas 82 mil habitantes, quando começaram a chegar imigrantes europeus, sobretudo italianos e alemães, além de pomeranos, holandeses, poloneses, suíços e açorianos. Pesquisas indicam que cerca de 60% dos capixabas são descendentes de italianos e aproximadamente 7% de alemães.


Em pouco mais de 150 anos, o estado cresceu cerca de 50 vezes, saltando de 82 mil para 4,1 milhões de habitantes. Também recebeu fluxos migratórios internos importantes, especialmente de baianos, mineiros e fluminenses, que ajudaram a moldar sua economia e cultura.


No século XXI, a qualidade de vida, a beleza natural e a receptividade do povo capixaba continuam atraindo brasileiros de diversos estados e estrangeiros. Um retrato simbólico dessa diversidade pode ser visto na origem dos governadores das últimas décadas: Gerson Camata (italiano), Max Mauro (baiano, com avô italiano), Albuíno Azeredo (descendente africano, um dos primeiros governadores negros do Brasil), Vitor Buaiz (libanês), José Ignácio Ferreira (português), Paulo Hartung (alemão e português) e Renato Casagrande (italiano).


Segundo o último Censo do IBGE, a população capixaba se declara 50% parda, 39% branca e 11% preta, com indígenas representando cerca de 0,4%. Em relação ao censo anterior, houve aumento das populações parda e preta e redução da branca, reforçando o caráter miscigenado e multicultural do estado.


Assim, o povo capixaba é resultado do encontro entre indígenas, europeus, africanos e, mais recentemente, migrantes internos e estrangeiros. Uma identidade construída ao longo dos séculos, plural, diversa e profundamente brasileira.

 
 
 

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