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A arte de contar histórias

Contar histórias é uma das formas mais antigas e eficazes de comunicação. Muito antes da escrita, nossos antepassados já usavam a narrativa oral para transmitir valores, experiências e ensinamentos entre gerações. Hoje, em pleno século XXI, essa arte continua sendo uma poderosa ferramenta para educar, inspirar, engajar e transformar pessoas.


Na minha infância, eu adorava dormir na casa do meu avô. Mais do que o carinho e o afeto, o que me encantava eram as histórias que ele contava — histórias sobre a roça, guerras, reinos, a vida simples e personagens curiosos que ele dizia ter conhecido. Era nesses momentos que eu aprendia, imaginava e sonhava.


Jesus Cristo foi, sem dúvida, o maior contador de histórias da humanidade. Por meio de parábolas simples e profundas, formou discípulos, transmitiu ensinamentos que ultrapassaram os séculos e continuam vivos até hoje. Suas histórias tocavam o coração das pessoas e despertavam consciência — como toda boa narrativa deve fazer.


No campo da educação, grandes pensadores como Paulo Freire e Jean Piaget reconheceram o poder das histórias. Freire defendia que a educação precisava partir da realidade do educando, e contar histórias era uma forma de contextualizar o aprendizado. Piaget, por sua vez, demonstrou que as crianças aprendem melhor quando estimuladas pela imaginação e pela afetividade — e poucas coisas ativam tanto essas dimensões quanto uma boa história.


A arte de contar histórias também é um recurso fundamental na educação infantil. Por meio delas, é possível desenvolver a linguagem, os valores morais, o senso crítico e a empatia das crianças. Mais do que entreter, as histórias ajudam a formar cidadãos sensíveis e criativos.


Nos meus livros e palestras, faço questão de incluir histórias reais, vividas ou ouvidas. Elas aproximam, tocam, envolvem. O público presta atenção quando se sente parte daquilo que está sendo dito — e isso só acontece quando há emoção. É por isso que, na comunicação empresarial moderna, o chamado storytelling se tornou uma das estratégias mais eficazes: contar a trajetória de uma empresa, os desafios superados, os clientes transformados — gerando conexão, confiança e engajamento.


Os grandes comunicadores — no Brasil e no mundo — dominam essa arte. Steve Jobs lançava produtos como quem narra uma revolução. No Brasil, Mário Sergio Cortella, Leandro Karnal e Clóvis de Barros Filho nos ensinam por meio de histórias.


Contar histórias é, portanto, mais do que uma técnica: é uma ponte entre pessoas. É a arte de tornar o conhecimento memorável, a experiência compartilhável e a emoção transmissível. É algo que todos podem aprender para se comunicar melhor, pois, quando contamos uma boa história, deixamos marcas que o tempo não apaga.


Em tempos de ruído e excesso de informação, acredito que contar boas histórias segue tendo o poder de tocar mentes e corações, perpetuando conhecimento.

 
 
 

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