Jovens e o futuro do trabalho: concurso, emprego ou negócio próprio?
- Lucas Izoton

- 14 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
O Brasil possui quase 10 milhões de estudantes universitários (metade em cursos a distância), cerca de 7,7 milhões no ensino médio e 2,4 milhões no ensino técnico. Muitos desses 20 milhões de estudantes vivem um dilema sobre qual caminho profissional seguir, especialmente em tempos de instabilidade política e econômica. Dentre as possibilidades mais comuns, destacam-se três: o serviço público, a iniciativa privada e o empreendedorismo.
Para viver com mais qualidade de vida, é fundamental trabalhar com aquilo que se ama. O filósofo chinês Confúcio já dizia: “Escolhe um trabalho de que gostes e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.” Estudos mostram que profissionais que escolheram a carreira com base em afinidade e propósito, anos depois apresentam maiores níveis de realização pessoal e bem-estar — mesmo quando os salários não são os mais altos.
Todas as alternativas têm bônus e ônus. O serviço público oferece estabilidade, carga horária reduzida, aposentadoria mais rápida, salários médios mais altos e menor exigência de performance. No entanto, muitas vezes o profissional não atua na sua área de formação, enfrenta promoções lentas, influências políticas e desafios de motivação. Além disso, os concursos mais atrativos estão cada vez mais concorridos, com poucas vagas disponíveis.
Na iniciativa privada, o profissional costuma atuar em áreas alinhadas à sua formação e interesses. O ambiente é mais dinâmico e meritocrático, com chances reais de crescimento acelerado. Contudo, as exigências de desempenho são maiores, os salários iniciais tendem a ser mais baixos, a carga horária é intensa e não há estabilidade garantida.
Empreender é, talvez, o caminho mais desafiador — e, ao mesmo tempo, o que mais pode transformar o Brasil. Pesquisas mostram que existem cerca de 42 milhões de empreendedores no país, e quanto mais se estimula o empreendedorismo, maior tende a ser a qualidade de vida da sociedade. Criar o próprio negócio exige coragem, criatividade e resiliência. A liberdade de tomar decisões, trabalhar no que se gosta e ter potencial de altos ganhos financeiros é um grande atrativo. Mas o risco é alto: concorrência acirrada, estresse constante, crédito escasso, burocracia pesada e uma legislação trabalhista que ainda não acompanha a velocidade do mundo atual.
No fim das contas, a vida é feita de escolhas — e das consequências dessas escolhas. O ideal é que o jovem reflita profundamente sobre seus valores, sonhos e perfil. Nenhuma rota é perfeita, mas todas podem ser bem-sucedidas se houver dedicação, ética e propósito. Como dizia o poeta romano Salústio: “Todo homem é arquiteto do seu próprio destino”.
O Brasil precisa de servidores públicos comprometidos, profissionais produtivos no setor privado e empreendedores ousados. São esses perfis, juntos, que constroem um país melhor.








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