O Empreendedorismo na Infância
- Lucas Izoton

- 8 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Falar de empreendedorismo infantil é muito mais do que ensinar crianças a ganhar dinheiro — é ensiná-las a sonhar, superar desafios e transformar ideias em ações. O mundo está em constante transformação, e as próximas gerações precisarão ser criativas, resilientes e proativas para construir um futuro melhor. E tudo isso começa ainda na infância.
Estatísticas mostram que países, estados ou regiões que estimulam a livre iniciativa e formam empreendedores apresentam melhor qualidade de vida. Por isso, é essencial incluir o tema no currículo escolar do nosso estado e do Brasil.
Minhas primeiras experiências empreendedoras começaram aos 10 anos, vendendo refresco em uma feira livre. Depois, passei a revender produtos da AVON em parceria com minha mãe. Aos 15, criava e vendia acessórios de couro. Foi um ótimo aprendizado sobre clientes, planejamento e micro negócios. Já formado em engenharia, aproveitei oportunidades e gerei empregos para centenas de pessoas.
Durante minha gestão como presidente da FINDES, numa reunião com quase cem empreendedores, perguntei quantos haviam começado a trabalhar com 15 anos ou menos. Cerca de 80% levantaram a mão. Foi uma evidência prática — talvez hoje limitada pela legislação — de como o trabalho precoce pode moldar a mentalidade empreendedora.
Em 1993, participei do Workshop EMPRETEC, criado pela ONU com o SEBRAE para desenvolver empreendedores em economias emergentes. Tornei-me instrutor e consultor credenciado, levando o programa a diversos estados e eventos internacionais. O EMPRETEC trabalha comportamentos-chave como iniciativa, persistência, metas, planejamento, rede de contatos e autoconfiança.
Quando fui Diretor do SESI-ES, implantamos, com apoio do especialista Fernando Dolabela, a pedagogia empreendedora infantil nas escolas da instituição. Uma das primeiras lições era ensinar as crianças a se conectar com o mundo ao redor, ampliando suas redes de relacionamento.
Um exemplo inspirador vem dos kibbutzim em Israel — comunidades onde as crianças têm liberdade para explorar, criar e tomar decisões. Esse ambiente fortalece a autonomia, a responsabilidade e a inovação — pilares de um comportamento empreendedor. Dar autonomia à criança é permitir que ela descubra seu potencial e desenvolva autoconfiança.
Precisamos abandonar a ideia de que o empreendedorismo é coisa de adulto. É na infância que florescem a curiosidade, a iniciativa e o desejo de transformar. Investir no empreendedorismo infantil é investir em um Brasil mais justo, inovador e humano.




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