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O lado sombrio das virtudes

Atualizado: 8 de set. de 2025

As Nações Unidas criaram o Workshop EMPRETEC com o objetivo de desenvolver empreendedores em países com economias emergentes. No Brasil, essa iniciativa ganhou força através de uma parceria com o SEBRAE. Tive o privilégio de participar da primeira turma como aluno e, mais tarde, tornar-me instrutor, treinado diretamente por Marina Fanning — uma mexicana naturalizada norte-americana, idealizadora do programa para a ONU.


A metodologia do EMPRETEC foi construída a partir de uma extensa pesquisa com milhares de empresários bem-sucedidos em dezenas de países. O objetivo era identificar as características comuns aos empreendedores de sucesso. Entre elas estavam: iniciativa, persistência, comprometimento, busca de informações, estabelecimento de metas, planejamento, persuasão, independência, autoconfiança, entre outras.


Essas qualidades são amplamente admiradas no mundo dos negócios. No entanto, quando levadas ao extremo, ou seja, ao exagero, deixam de ser virtudes e passam a representar riscos. É o “fio da navalha” que separa a força do erro. Muitos líderes cruzam essa linha sem perceber — e, ao fazê-lo, colocam em risco suas empresas, equipes e legados. Como na medicina, uma dose a mais do remédio pode se transformar em veneno. No EMPRETEC nós identificávamos como o “lado obscuro da força”.


A autoconfiança é essencial. Um empreendedor precisa confiar em si mesmo para tomar decisões sob pressão. Mas, quando excessiva, ela se transforma em arrogância e prepotência, impedindo o líder de ouvir alertas, conselhos e informações.


A independência permite ao líder agir com iniciativa, mas pode se tornar isolamento e indisciplina quando o gestor ignora completamente a equipe e os parceiros.


A persistência é louvável, mas, sem reflexão, degenera em teimosia — insistir em estratégias falhas pode ser fatal. Deve persistir, mas buscando alternativas diferentes.


A persuasão, ferramenta valiosa para criar conexões e liderar, ao ultrapassar o limite, vira manipulação — algo que mancha a reputação e compromete os relacionamentos.


O foco em metas ousadas é positivo, mas pode virar obsessão se os objetivos forem inatingíveis, gerando um ambiente tóxico e desmotivador.


A agilidade, tão valorizada em tempos de mudança, pode ser confundida com impulsividade. Decisões apressadas, sem escuta e sem análise, geram retrabalho e desgastes.


Até o planejamento, necessário para o sucesso, quando excessivo, pode se tornar paralisante: replanejar constantemente, cuidando de detalhes irrelevantes, pode fazer com que boas oportunidades não sejam aproveitadas.


Lembro de um seminário internacional de empreendedorismo em que me perguntaram quais atitudes mais contribuíram para meus sucessos — e também para meus fracassos. A resposta foi a mesma para as duas perguntas: ousadia. Quando fui ousado demais e falhei no planejamento, colhi derrotas. Mas quando fui ousado com preparo e riscos calculados, alcancei grandes conquistas.


A verdadeira virtude está no equilíbrio. Como ensinava Aristóteles, a sabedoria reside no meio. O bom líder não precisa ser menos ousado — precisa ser mais consciente de seus limites e humilde para ouvir, repensar e evoluir.

 
 
 

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