Qual o segredo dos grandes líderes? Lições de ‘O Monge e o Executivo’
- Lucas Izoton

- há 3 dias
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O escritor e consultor James Hunter lançou, em 2004, o livro O Monge e o Executivo, uma obra que se tornou um dos maiores sucessos sobre liderança no Brasil. Em forma de narrativa, o autor apresenta a história de um executivo bem-sucedido que decide passar um período em um mosteiro e, ali, descobre lições profundas sobre a arte de liderar pessoas. Estou relendo essa obra e percebo que seus conceitos continuam extremamente atuais.
Um dos pontos centrais do livro é simples e poderoso: um bom líder deve tratar os outros seres humanos exatamente como gostaria de ser tratado. Isso exige respeito, empatia e capacidade de ouvir – habilidade considerada por Hunter uma das mais importantes na liderança. Ouvir verdadeiramente é abrir espaço para o diálogo, compreender necessidades e criar conexões autênticas.
A verdadeira liderança, segundo o autor, requer doação pessoal. Liderar não é ocupar um cargo ou ter poder formal, mas influenciar pessoas para que trabalhem com entusiasmo, propósito e comprometimento. E essa capacidade pode ser aprendida e desenvolvida. Especialistas afirmam que a liderança é uma habilidade construída com prática e atitudes adequadas, desde que exista o desejo real de evoluir.
O livro destaca também a diferença entre poder e autoridade. Poder é a capacidade de obrigar alguém a fazer algo contra a vontade. Já a autoridade é conquistar o respeito e fazer com que as pessoas escolham agir voluntariamente. Com o tempo, o poder tende a corroer relacionamentos, principalmente quando usado de forma inadequada. A autoridade, ao contrário, fortalece vínculos e gera confiança.
Hunter apresenta o conceito do “líder servidor”. O verdadeiro líder serve sua equipe, dá exemplo, é confiável, humilde, comprometido, positivo, encorajador e, acima de tudo, gosta de pessoas. Construir relacionamentos saudáveis dentro de uma empresa é essencial, pois colaboradores desejam ser tratados com dignidade e respeito. Quando há confiança e participação, a produtividade cresce naturalmente.
Outro ensinamento marcante é que a felicidade ao longo da vida não está nos bens materiais, mas nas relações significativas: família, filhos, netos, amigos, experiências positivas e contato com a natureza. A vida é feita de escolhas – e de suas consequências.
O líder servidor entende que seu papel principal é identificar e atender às necessidades legítimas de seus liderados, dentro das possibilidades. Pessoas diferentes têm necessidades diferentes, e por isso é um equívoco afirmar: “trato todos iguais”. Liderança exige flexibilidade e sensibilidade. O próprio Jesus Cristo ensinou que liderar é servir.
Intenções sem ações não significam nada. Liderar é agir, dar exemplo e cultivar pessoas para que se tornem o melhor que podem ser. Uma característica dos grandes líderes é criar novos líderes, para que estes contribuam para atingir os resultados esperados em uma empresa, entidade ou mesmo em um órgão público.
Para que possamos mudar e melhorar o nosso país, é importante desenvolver novos líderes que tenham coragem de efetuar as mudanças necessárias – e cada um de nós precisa fazer a sua parte.
Outro aspecto importante para nossa reflexão é que o ser humano não consegue controlar o que sente por outra pessoa, mas pode – e deve – controlar seu comportamento em relação aos outros.
Se você ainda não leu O Monge e o Executivo, recomendo fortemente. E, se leu há muitos anos, vale reler. Conceitos básicos, quando revisitados, podem gerar grandes insights para o seu dia a dia como líder e como ser humano.








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